Implante Infrahilar de Stent Biliar Revestido vs. Não Revestido (Radiologia Intervencionista)

08/06/2020

Implante Infrahilar de Stent Biliar Revestido vs. Não Revestido (Radiologia Intervencionista)

Implante Infrahilar de Stent Biliar Revestido vs. Não Revestido (Radiologia Intervencionista)

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A drenagem biliar interna através do implante endoscópico ou percutâneo transhepático de stents metálicos nas vias biliares é o tratamento paliativo padrão para obstruções biliares malignas inoperáveis. Entretanto, a incrustação de bile e resíduos e o crescimento do tumor por fora ou para dentro do stent podem provocar sua obstrução e a consequente falha do tratamento.

A utilização de stents metálicos recobertos é uma estratégia para prevenir o crescimento do tumor para dentro do stent. Todavia, são controversos na literatura os dados que comparam resultados obtidos com stents recobertos e não recobertos.
  
Em julho de 2019 foi publicado por Dhondt e colaboradores um teste controlado randomizado com o objetivo de comparar os resultados obtidos com o implante percutâneo de stents recobertos e de stents não recobertos no tratamento de vias biliares infrahilares de pacientes com diferentes tipos de tumor primário e secundário após falha no implante endoscópico de stents.

O escopo do estudo teve o objetivo de avaliar a performance dos stents em situações semelhantes às encontradas nos serviços de radiologia, ou seja: população variada de pacientes que necessitam do implante infrahilar devido a diferentes tipos de tumor.  154 pacientes foram divididos igualmente entre os que receberam stent recoberto e não recoberto. Os stents utilizados foram o Viabil, da Gore Medical, e o Zilver Biliary, da Cook Medical, nos diâmetros de 8 e 10 mm e comprimentos de 60, 80 e 100 mm.

Os parâmetros comparados foram taxa de reoclusão (= 32% vs. 29%), patência (mediana estimada = 308 vs. 442 dias), possibilidade de iniciar ou retomar quimioterapia (= 48% vs. 37%) e sobrevivência (= 96 vs. 75 dias), sendo que em nenhum desses parâmetros houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos analisados. A realização de quimioterapia foi efetiva nos dois grupos em prolongar a vida dos pacientes.

Os pesquisadores concluíram com base nos resultados encontrados que, ao contrário de suas expectativas iniciais, o uso de stent recoberto não é necessário para paliar a doença e nem para permitir a realização de quimioterapia nos pacientes e, portanto,  não oferece resultado superior ao uso de stent não recoberto no tratamento paliativo de obstruções biliares malignas infrahilares.

No Brasil, a E. Tamussino oferece o stent não recoberto utilizado no estudo, o Zilver Biliary, nos diâmetros de 8, 9 e 10 mm e nos comprimentos 60 e 80 mm. O cateter do dispositivo, liberado através de “pull back” ou “pin and pull”, possui 40 cm de comprimento, facilitando para os radiologistas o implante percutâneo do stent.




REFERÊNCIAS:

Dhondt E, Vanlangenhove P, De Man M, Huyck L, Defreyne L. No Advantage of Expanded Polytetrafuoroethylene and Fluorinated Ethylene Propylene–Covered Stents over Uncovered Nitinol Stents for Percutaneous Palliation of Malignant Infrahilar Biliary Obstruction: Results of a Single-Center Prospective Randomized Trial. J Vasc Interv Radiol 2020; 31:82–92. https://doi.org/10.1016/j.jvir.2019.07.013

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