Estudo Demonstra Resultados a Longo Prazo de Reparos de AAA com Zenith Flex (Intervenção Aórtica)

12/05/2020

Estudo Demonstra Resultados a Longo Prazo de Reparos de AAA com Zenith Flex (Intervenção Aórtica)

Estudo Demonstra Resultados a Longo Prazo de Reparos de AAA com Zenith Flex  (Intervenção Aórtica)
O uso da técnica endovascular para a correção dos AAA surgiu no início da década de 90, a partir do relato de Parodi. O reparo endovascular de Aneurisma de Aorta Abdominal (EVAR) foi desenvolvido como método menos invasivo alternativo ao reparo aberto. 

A tecnologia endovascular representa um avanço muito relevante, e mesmo pacientes com risco cirúrgico proibitivo passaram a ter seus aneurismas corrigidos, desde que apresentassem condições anatômicas favoráveis para sua realização. Os benefícios e a eficácia de EVAR, em comparação com a cirurgia convencional, vem sendo comprovados em ensaios clínicos randomizados. Um estudo publicado em 2008, demonstrou uma redução de 65% na mortalidade perioperatória. Embora o EVAR ofereça a vantagem imediata de menor morbidade e mortalidade perioperatória, requerem vigilância ao longo da vida para possíveis complicações.

Em 2016 foi publicado um estudo demonstrando resultados a longo prazo do reparo endovascular de Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) resultados a longo prazo do reparo endovascular do AAA.

Estudo demonstrando resultados de 14 anos de reparo endovascular da aorta abdominal com endoprótese Zenith Flex



Objetivo: Os resultados a longo prazo do reparo endovascular do aneurisma da aorta abdominal (AAA) são afetados pelas renovações do projeto dos enxertos que tendem a melhorar o desempenho das próteses de gerações mais antigas. O presente estudo investigou os resultados a longo prazo do reparo endovascular do AAA (EVAR) usando o enxerto Zenith Flex®, ainda em uso sem grandes modificações, em um único centro.

Métodos: Entre 2000 e 2011, 610 pacientes foram submetidos ao EVAR eletivo, utilizando a Endoprótese Zenith Flex® (Cook Medical) e representam o grupo de estudo. Os desfechos primários foram sobrevida global, livre de ruptura do AAA, e livre da morte relacionada ao AAA. Os resultados secundários incluíram livre de reintervenção tardia (> 30 dias), livre de conversão tardia (> 30 dias) para reparo aberto, livre  de aumento do saco aneurismático > 5,0 mm e ausência de falha no EVAR, definida como um composto de morte relacionada ao AAA, ruptura do AAA, crescimento do AAA> 5 mm e qualquer reintervenção.

Resultados: A idade média dos pacientes no estudo foi de 73,2 anos. O diâmetro médio do aneurisma foi de 55,3 mm. Houveram cinco óbitos perioperatórios (0,8%) e três conversões intraoperatórias. Em um seguimento médio de 99,2 (intervalo, 0-175) meses, ocorreram sete rupturas de AAA, com seis fatais. A sobrevida global foi de 92,8% ± 1,1% em 1 ano, 70,1% ± 1,9% em 5 anos, 37,8% ± 2,9% em 10 anos e 24 ± 4% em 14 anos. A taxa de casos sem ruptura do AAA foi de 99,8% ± 0,02 em 1 ano (um caso), 99,4% ± 0,04 em 5 anos (três casos) e 98,1% ± 0,07 entre 10 e 14 anos. A taxa de casos sem reintervenção e conversão tardia foi de 98% ± 0,6 em 1 ano, 87,7% ± 1,5 em 5 anos, 75,7% ± 3,2 em 10 anos e 69,9% 6 5,2 em 14 anos. A taxa de casos com crescimento do saco aneurismático > 5,0 mm foi de 99,8% em 1 ano, 96,6% ±0,7 em 5 anos, 81,0% ±3,4 em 10 anos e 74,1% ± 5,8% em 14 anos. Falha no EVAR ocorreu em 132 (21,6%) pacientes em 14 anos. Na análise multivariada, preditores independentes de falha no EVAR resultaram em Endoleak tipo I e III (taxa de risco [HR], 6,7; intervalo de confiança [IC] de 95%; 4,6- 9,7; P <0,001), Endoleak tipo II (HR 2,3; IC 95%, 1,6-3,4; P <0,001), e American Society of Anesthesiologists grau 4 (HR 1,6; IC 95%, 1,0-2,6; P=.034).

Conclusões: O EVAR com enxerto Zenith Flex® representa um reparo seguro e durável. O risco de ruptura e morte relacionada ao aneurisma é baixo, enquanto a sobrevida global a longo prazo permanece baixa. Novos modelos de Endopróteses devem ser testados e avaliados, considerando que um quarto dos pacientes operados ainda estará vivo após 14 anos. (J Vasc Surg 2016)


REFERÊNCIAS:

Fabio Verzini, Lydia Romano, Gianbattista Parlani, Giacomo Isernia, Gioele Simonte, Diletta Loschi, Massimo Lenti, Piergiorgio Cao. Fourteen-year outcomes of abdominal aortic endovascular repair with the Zenith stent graft Presented at the 2016 Vascular Annual Meeting of the Society for Vascular Surgery, National Harbor, Md, June 8-11, 2016. https://www.jvascsurg.org/article/S0741-5214(16)31001-1/fulltext

Blankensteijn JD. Treatment of abdominal aortic aneurysms. Ned Tijdschr Geneeskd. 2003;147(14):639-44. 

1May J, White GH, Harris JP. Endoluminal repair of abdominal aortic aneurysms: state of the art. Eur J Radiol. 2001;39(1):16-21.

Gosen Gabriel KoningI; S.R. VallabhaneniII; Corinne J. Van MarrewijkIII; Lina J. LeursIII; Robert J.F. LaheijIV; Jacob ButhV. Mortalidade relacionada ao tratamento endovascular do aneurisma da aorta abdominal com o uso dos modelos revisados. Rev Bras Cir Cardiovasc vol.22 no.1 São José do Rio Preto Jan./Mar. 2007. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-76382007000100006

Jan D. Blankensteijn, M.D., Sjors E.C.A. de Jong, M.D., Monique Prinssen, M.D., Arie C. van der Ham, M.D., Jaap Buth, M.D., Steven M.M. van Sterkenburg, M.D., Hence J.M. Verhagen, M.D., Erik Buskens, M.D., and Diederick E. Grobbee, M.D. for the Dutch Randomized Endovascular Aneurysm Management (DREAM) Trial Group. Two-Year Outcomes after Conventional or Endovascular Repair of Abdominal Aortic Aneurysms. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa051255